A qualidade das rodovias brasileiras apresenta estagnação em níveis críticos

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Os resultados da 26ª Pesquisa CNT de Rodovias, realizada pela Confederação Nacional do Transporte (disponíveis em http://pesquisarodovias.cnt.org.br, apontam para uma persistente falta de qualidade na infraestrutura rodoviária brasileira, com mais da metade da malha avaliada apresentando algum tipo de problema (classificada como regular, ruim ou péssima). Para este levantamento, as equipes percorreram mais de 111.500 km de estradas pavimentadas em todas as regiões do país, analisando de forma detalhada as condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via.

Segundo o Sistema Nacional de Viação (SNV), a malha rodoviária nacional expandiu sua extensão e compreende atualmente cerca de 215.700 km de rodovias pavimentadas (12,7%), contrapondo-se a mais de 1.480.000 km de rodovias não pavimentadas (87,3%). Embora tenha ocorrido um leve avanço na pavimentação e na consolidação de novos eixos logísticos federais e estaduais, o cenário nacional ainda preserva a histórica e imensa disparidade entre trechos asfaltados e estradas de terra.

Apesar de o transporte rodoviário ainda concentrar cerca de 65% de toda a matriz de cargas movimentada internamente no Brasil, a densidade de rodovias pavimentadas a cada 1.000 km² de território nacional permanece criticamente baixa. Esse indicador de eficiência logística deixa o país em extrema desvantagem competitiva, registrando uma cobertura asfáltica por área bastante inferior à densidade rodoviária observada em vizinhos e concorrentes emergentes como a Colômbia, o México e o Uruguai.

Os levantamentos mais recentes continuam apontando que a maior parte das rodovias pavimentadas brasileiras apresenta deficiências severas, sendo considerada inadequada ou regular para o tráfego seguro de pessoas e bens. Esse cenário é ratificado pelas sucessivas edições da Pesquisa CNT de Rodovias e reflete diretamente no Índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial. No quesito específico de qualidade da infraestrutura rodoviária, o Brasil historicamente amarga posições desfavoráveis no ranking global (oscilando na faixa das últimas colocações entre mais de 140 países analisados), situando-se significativamente atrás de vizinhos da América do Sul que possuem redes viárias mais eficientes, como o Chile, o Equador, a Argentina e o Uruguai.

 A falta de segurança e de qualidade nas rodovias brasileiras eleva drasticamente os custos operacionais do transporte de cargas. O asfalto danificado causa avarias frequentes em pneus, rodas e suspensões, exige manutenções precoces na frota, aumenta o consumo de combustível e prolonga o tempo das viagens. Esse cenário crítico encarece diretamente o valor dos fretes e, consequentemente, inflaciona os custos logísticos de todas as empresas do país.

Para reverter o cenário crítico das rodovias brasileiras e reduzir os custos logísticos, a solução exige um plano estruturado em três frentes: investimento massivo, modelos eficientes de gestão e diversificação da matriz de transportes.

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